Locomotivas Humanas

smoke-city.comPessoas fumam. Até aí, tudo bem – cada um faz com seu pulmão o que quiser. Eu não fumo, mas certamente destruo o meu organismo de outras maneiras tão prejudiciais quanto o cigarro. Mas uma coisa que a maioria dos fumantes não parece perceber é que o seu vício afeta outras pessoas.

A quantidade de fumantes deve estar crescendo, porque cada vez mais acontece de eu estar caminhando pelas ruas e notar, vindo na direção oposta, um fumante que se prepara para soltar uma “parede de fumaça” bem na minha cara. É isso mesmo, muitas vezes o animal nem ao menos vira o rosto. Se eu estou desprevenido (e azarado), calha de eu estar respirando profundamente exatamente no momento em que a fumaça chega em mim, levando-a direto ao meu pulmão. Além de extremamente desagradável, isso faz um baita mal à saúde (mais do que fumar, diga-se de passagem), mas o pior, para mim, é o que o ato representa: o total descaso dessas pessoas pelos outros.

Afinal, a poluição está por toda parte (principalmente nas grandes metrópoles), nos matando aos poucos. E todos nós somos culpados, pois vivemos e sustentamos este mundo não-sustentável. Não sei como resolver isso, mas um bom começo seria parar de regurgitar fumaça na cara das pessoas.

Agosto 29, 2008 at 11:41 pm Publicar um comentário

Máquinas Carregadas

Motor Mania - Disney

Geralmente eu cumprimento o motorista do ônibus, afinal, ele é uma pessoa e não uma máquina. Quanto a mim, sou um otimista. Pelo menos até, ainda a caminho do meu assento, eu perceber que tive o azar de entrar em um ônibus com um típico motorista mal-educado ao volante.

À medida que o veículo breca e acelera com violência, cidadãos cansados de um dia quente e seco de trabalho e estudo são obrigados a se segurar para não serem arremessados ao chão. E olha que as ruas estão praticamente vazias.

Sejam quais forem os motivos do motorista para agir desta maneira, eles não justificam o seu comportamento. As pessoas precisam usar o transporte público – para a maioria, a única opção – e tem o direito de serem tratadas com respeito. Isso exige funcionários bem treinados e capazes de lidar com esta responsabilidade, além de uma estrutura que lhes dê apoio quando necessário, o que nem sempre é o caso.

Diante da situação, alguns dos cidadãos mais engajados até pensam em fazer alguma coisa a respeito – “Vou denunciar esse cara assim que chegar em casa”, diz uma moça bem vestida, equilibrando-se no seu assento. Mas ninguém lembra depois que a coisa já passou. Quando lembra, não tem a menor paciência para lidar com a “burrocracia” das instituições públicas brasileiras.

Daria mais resultado publicar em algum lugar (um blog, talvez) o nome dos motoristas, em uma espécie de “lista negra”. Com a popularização de celulares com câmeras, esta lista poderia até ser ilustrada com fotos dos mal-educados ou mesmo vídeos das suas peripécias enquanto extravasam as suas emoções pelas ruas da cidade. Talvez a ameaça de se tornar a próxima celebridade do YouTube faça com que pensem duas vezes no que estão fazendo.

Continuando a viagem, finalmente chegamos à Avenida Cidade Jardim e todos agradecem o trânsito parado. “Agora é assim atéé a Avenida Paulista”, comenta um dos passageiros. Demora mais a chegar, mas pelo menos dá pra descansar um pouco, afinal somos pessoas e não carga.

Julho 18, 2008 at 4:02 pm Publicar um comentário


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